Curso para Iniciantes: Degustadores de vinho

O apreço e o carinho das pessoas pelo vinho é algo muito antigo. Embora o crescente interesse dos brasileiros pelo vinho seja algo recente, pelo mundo afora a história é outra. Existem relatos religiosos e históricos que superam milênios em período de tempo no que diz respeito ao consumo de vinho.

Não é absurdo algum afirmarmos que a evolução do vinho caminha de maneira conjunta com a da humanidade. Ou seja, quanto mais evoluímos do ponto de vista tecnológico, mais a qualidade do vinho evolui.

Entretanto, mesmo com anos e anos de história, muita evolução envolvida e claro, diferentes tipos de uvas e produções, há muita gente que gosta, mas ainda não sabe como degustar um vinho de maneira adequada.

Se você faz parte do grupo daqueles que buscam entender e aprender sobre degustação de vinho, esse minicurso foi feito para você.

Programação única e diferenciada

No nosso curso para iniciantes em degustação de vinhos vamos passar pelos seguintes tópicos:

  • Um passeio pela história do vinho;
  • O conceito de Terroir;
  • Tipos de uva: Origem e denominação;
  • Processo de elaboração: Leitura de rótulo;
  • Enogastronomia: Degustação e serviço.

Agora que você já conhece toda a nossa programação, é hora de dar início aos estudos. Vamos lá?

Registros históricos

As primeiras vinhas foram cultivadas em meados dos anos 8.000 A.C, na região do Cáucaso na Geórgia.

Nessa época, os humanos deixaram o nomadismo de lado e se tornaram “sedentários” por conta do domínio do fogo, domesticação de animais e cultivo e consumo de alimentos.

O vinho pelo mundo

É no Egito que foram encontrados os principais registros da produção e consumo da bebida, especificamente por meio de pinturas e documentos datados de 3000 a 1000 A.C.

Nesses registros, é possível observar como ocorria a plantação, prensas após colheitas, fermentação, armazenamento e consequente consumo e distribuição.

Foi nessa época, inclusive, que o vinho chegou à Grécia por meio de mercadores fenícios. Sabe-se hoje que a bebida foi fundamental para o desenvolvimento do país, tanto na área econômica, quanto na área cultural.

Uma prova disso são os relatos que mostram que a bebida era apreciada por todas as classes de romanos, desde a burguesia até os trabalhadores.

A partir de meados dos anos 1.000 A.C os gregos começaram a plantar videiras em outras regiões da Europa, tais como Península Ibérica e sul da Itália.

O vinho e os romanos

Em terras italianas, os romanos decidiram usar o vinho como uma espécie de demarcação territorial. Foi dessa maneira que os vinhedos chegaram a países como Grã-Bretanha, Alemanha e França.

Através da agricultura, os romanos se tornaram verdadeiros especialistas em cultivo das uvas e produção de vinho. Foram eles, inclusive, os responsáveis por catalogar os diferentes tipos de uvas e criar os famosos barris de madeiras, utilizados até hoje para aprimorar o vinho.

Andando lado a lado com o Império Romano, o vinho atingiu um patamar elevado em termos de qualidade nos Séculos I e II. Passado esse período, guerras constantes fizeram com que o império caísse em declínio, levando com ele a vinicultura, que se tornou mais cara e fraca na Itália.

No entanto, nessa época o vinho já tinha grande poder e “vida própria” fora das terras italianas e com a queda do Império Romano, entrou em cena a Idade Medieval.

Por toda a Europa o vinho já era bem difundido e visto como uma das bebidas preferidas para o acompanhamento de banquetes. Foi nesse período que a França começou a se destacar como produtora de vinhos de alta qualidade.

Outro fator muito importante que colaborou com a expansão do vinho para os demais países europeus foi a ascensão da Igreja Católica a partir do século IV. Como se sabe, até hoje no momento da eucaristia, o vinho é utilizado como simbolismo do sangue de Jesus Cristo.

Além do âmbito religioso, nessa época, o vinho se sobressaiu também na área médica, já que se acreditava que a bebida possuía propriedades curativas para uma série de doenças.

Nesse período o vinho foi ganhando cada vez mais força, recebendo uma série de aperfeiçoamentos e modificações em receitas, que deram origem a outros tipos de vinhos, como os brancos, rosés e espumantes. No entanto, era necessário que as fronteiras europeias fossem superadas, o que não demorou a acontecer.

A expansão do vinho pelo mundo

Quando se fala sobre a expansão do vinho pelo mundo, temos em um primeiro momento a Igreja Católica como grande contribuinte para isso.

No continente americano, a bebida chegou por volta do século XVI, mais precisamente no México, trazida por missionários espanhóis para realização da eucaristia.

Por conta do clima, o vinho rapidamente se tornou um grande sucesso no território mexicano e se espalhou para outros lugares, como os Estados Unidos e demais colônias espanholas nas Américas Central e do Sul.

Na África, o cultivo das uvas viníferas começou no Cabo da Boa Esperança, também no século XVI com a chegada dos colonizadores holandeses. Já com mudas trazidas do continente africano, o vinho passou a se expandir para a Ásia e Oceania, principalmente em países como Austrália e Nova Zelândia.

O vinho no Brasil

E na última parte sobre a história do vinho, não poderíamos deixar o Brasil de fora.

Por aqui, o vinho começou a criar raízes a partir do ano de 1530, quando as primeiras videiras foram plantadas na Capitania de São Vicente. O maior dono de terras na região litorânea da capitania era o português Brás Cubas.

Muitos colonizadores trabalharam de maneira árdua para aumentar a produção de uva e vinho no país por conta do nosso clima favorável. Entretanto ela só cresceu realmente no início do século XX.

Isso porque, nesse período que coincidiu com grandes guerras mundiais, muitos imigrantes europeus, principalmente os italianos vieram para cá para fugir da guerra e trouxeram consigo a cultura da produção e consumo de vinho.

O conceito de Terroir

Terroir é um dos termos mais utilizados no universo do vinho e certamente é uma das palavras menos compreendidas pelos leigos, e isso é natural. Entender o que é Terroir é algo complexo e começa pelo simples fato de não haver nenhuma palavra equivalente em português, ou seja, não há tradução para esse termo de origem francesa.

Terroir na verdade, envolve um conjunto de fatores, tais como geologia, pedologia, drenagem, microclima, clima, castas, intervenção humana, cultura, tradição, história que se juntam e são engarrafadas.

A definição do termo terroir é muitas vezes confundida com explicações mais simplórias e genéricas como regionalidade ou tipicidade de terrenos, mas não se deixe enganar. Quando se fala de Terroir é preciso falar de maneira aprofundada.

Todos os fatores citados são necessários para compor o Terroir e algo importante é que sem a ação humana ele não pode existir.

Hoje, o fator humano é indiscutivelmente uma variável de grande importância na concepção do termo. O homem tem como função e atributo auxiliar a natureza a exprimir suas melhores qualidades para que assim se resulte num bom vinho.

Há aqueles que defendem que um Terroir é capaz de transferir para o vinho um sabor único e próprio. Há também os céticos que afirmam que isso é apenas misticismo, no entanto, uma coisa é certa: esse termo que envolve química e física é milenar e ajuda a alcançar resultados incríveis em pleno século XXI.

É possível afirmar que os conceitos de Terroir e de qualidade atribuídos aos vinhos só são possíveis por meio de uma ação humana bem gerida e orientada, isso seria o melhor da natureza e o melhor do homem trabalhando em harmonia.

Uma série de pesquisas, estudos e levantamentos sugerem que até mesmo fungos e bactérias encontrados em cascas de uvas, inclusive leveduras que podem desempenhar um papel espontâneo e único na fermentação e consequentemente no resultado final de um vinho, contribuindo assim para a composição do Terroir.

Dessa forma, podemos afirmar de maneira “simplista”, mas profunda que o Terroir é o DNA do vinho, que é capaz de nos mostrar detalhes específicos de cada rótulo. Incrível, não é mesmo?

Tipos de uva: Origem e denominação

Um ponto importante para quem está despertando o interesse em conhecer o universo dos vinhos de maneira mais aprofundada é saber quais são os principais tipos de uvas, principalmente no que diz respeito à nomenclatura e origem.

Hoje, diferentes países têm suas uvas emblemáticas. Tratam-se de castas que se desenvolvem muito bem no Terroir de suas regiões, dando origem a vinhos renomados em todo o mundo, com características particulares e inconfundíveis.

Vamos conhecer agora os principais países produtores de vinho, assim como suas uvas específicas.

  • África do Sul: Pinotage;
  • Alemanha: Riesling;
  • Argentina: Malbec;
  • Austrália: Shiraz;
  • Chile: Cabernet Sauvignon, Carménère, e Sauvignon Blanc;
  • Espanha: Tempranillo;
  • Estados Unidos: Pinot Noir e Zinfandel;
  • França: Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Pinot Noir, Chardonnay e Merlot;
  • Itália: Sangiovese, Barbera e Corvina Veronese;
  • Nova Zelândia: Pinot Noir e Sauvignon Blanc;
  • Portugal: Touriga Nacional, Baga e Alfocheiro.
  • Brasil: Chardonnay e Sauvignon blanc.

Tão importante quanto conhecer os principais e diferentes tipos de uvas é saber também as características de um vinho a partir do conhecimento de qual ou quais uvas ele foi elaborado.

Cada casta possui suas particularidades capazes de interferir diretamente no resultado da bebida. Assim, é importante saber quais uvas fazem parte dos principais tipos de vinho.

Por isso, vamos te mostrar agora quais são as principais uvas brancas e tintas.

Uvas brancas

As principais uvas brancas são:

  • Chardonnay,
  • Chenin Blanc;
  • Riesling;
  • Moscatel;
  • Sauvignon Blanc;
  • Verdejo.

Uvas tintas

Já as principais uvas tintas são:

  • Cabernet Sauvignon;
  • Malbec;
  • Merlot;
  • Pinot Noir;
  • Syrah;
  • Tannat;
  • Tempranillo.

Processo de elaboração: Leitura de rótulo

Algo importante a ser pontuado é que não é preciso ser um expert para escolher um vinho por seu rótulo, mas também não se deve ser levado pelo impulso instintivo ou pela jogada de marketing de um rótulo bem feito, cheio de cores, com um design bonito que parece definir de modo imediato o caráter da bebida.

Nesse momento, você deve estar se questionando: Então, o que levar em consideração na hora de ler um rótulo?

As principais informações que devem ser levadas em consideração na hora de ler um rótulo são:

  • Nome do vinho;
  • Variedade da uva;
  • Safra;
  • Produtor;
  • Região de origem.

Vamos te ensinar agora sobre cada um desses pontos!

Nome do vinho

É a primeira coisa que você vai ver em um rótulo. Normalmente, a nomenclatura é utilizada pelo produtor para distinguir um produto de outro e assim, facilitar a divulgação e comercialização, já que para o consumidor, o nome serve para identificação da bebida.

Variedade da uva

Essa informação dá uma excelente indicação do tipo, aroma e consequentemente sabor do vinho.

A variedade informa a casta (ou castas) que produz o vinho. No universo do vinho, onde as bebidas são produzidas com uvas específicas, a intenção de destacar a casta utilizada é além de uma fonte de informação, uma boa estratégia de marketing, já que facilita mostrar ao consumidor o seu tipo de uva favorita.

Safra

Diferente do que muitos pensam, a safra denota o ano que a(s) uva(s) que compõe o vinho foram colhidas e não a produção do vinho em si.

Trata-se de uma informação importante, pois indica a idade do vinho e como se sabe, alguns vinhos ficam melhores com o tempo (enquanto outros são feitos para que sejam consumidos tão logo quanto possível).

Quando não há uma data de safra no rótulo, significa que o vinho foi elaborado com safras diferentes.

Produtor

Essa informação talvez seja a mais importante do rótulo, uma vez que está diretamente relacionada à qualidade do vinho, afinal, produtores possuem características únicas e personalizadas na hora de produzir vinhos.

Saber diferenciá-los e conhecer as suas reputações é um grande passo para conhecer não só a origem, mas também a qualidade do vinho escolhido.

Região de origem

E aqui temos uma informação relacionada com as características gerais e específicas do vinho. A região de origem da bebida revela o clima, solo e principalmente o terroir de onde a uva foi cultivada e o vinho produzido. Em outras palavras, revela a sua marca.

Quanto mais específicas forem as especificações da região de origem (país, região, sub-região), mais fácil será identificar as características do vinho.

Enogastronomia: Degustação e serviço

Tão importante na hora de aprender sobre a degustação de vinho é degustar a bebida. Entretanto, não basta apenas beber um vinho de qualquer maneira, a forma de degustação também é muito importante tanto para iniciantes, quanto para os verdadeiros sommeliers.

Agora é hora de aprender os conceitos que devem ser levados em conta na hora de degustar um bom vinho.

Tudo começa na taça

O primeiro ponto para dar início à degustação é dispor de uma boa taça. Diferente do que você possa imaginar, não é necessário nada de muito especial. Uma boa taça grande, larga e translúcida é o suficiente para iniciar o processo de degustação, compreensão e apreciação de vinhos, no entanto você pode saber mais sobre as taças em nosso artigo: Porque existem diferentes tipos de taças para vinhos.

Atenção à visão

A etapa de avaliação da aparência do vinho é muito importante na hora de degustar um vinho.

Para uma boa avaliação visual, é necessário iniciar preenchendo pelo menos um quarto da taça, em seguida, segure-a pela haste e preste atenção às mais variadas características.

Um vinho límpido e brilhante é um sinal de qualidade, já um vinho turvo e com partículas suspensas são indícios de um vinho de má qualidade.

Caso esteja degustando um espumante, avalie as bolhas. Borbulhas finas e contínuas são sinais típicos de espumantes de qualidade.

Outro ponto que merece atenção é a intensidade da coloração. Quanto mais denso for um vinho tinto, mais jovem ele será, assim como seu paladar mais pesado. Já os vinhos tintos translúcidos possuem notas mais leves. A coloração típica dos vinhos tintos vai do púrpura e podem chegar próximos ao tom de tijolos.

No final, gire a taça de maneira delicada e preste atenção nas “lágrimas” que se formam na parede. Quanto mais consistentes, maior o teor de álcool.

A importância do olfato

Embora seja pouco difundido, o olfato é uma parte de grande importância na hora da degustação. O aroma de um vinho é capaz de provocar variadas sensações que podem ir desde o desejo de consumo, até mesmo de rejeição à bebida.

O primeiro passo é aproximar o nariz da bebida e inalar o que vem da taça de maneira intensa.

A primeira impressão é a mais valiosa e genuína de todas pelo fato de não estar sob influência do poder de análise. Em seguida, deve-se dar início a um giro da taça, o que aumentará a superfície de contato do vinho com o ar, aumentando a percepção em relação aos aromas.

Vinhos de qualidade apresentam aromas interessantes logo de cara.

No início é importante ter à disposição uma tabela completa de descritores como forma de orientação. No entanto, a tabela deve ser vista como um incentivo inicial e não uma obrigação. Uma dica importante é aceitar e acatar todos os aromas que surgirem.

Para separar o joio do trigo, uma informação de grande valia é que odores que lembram papelão molhado, esmalte, enxofre ou até mesmo vinagre, indicam vinhos com defeito ou de má qualidade.

E por último, deguste

E por último: o óbvio: deguste o vinho escolhido.

O ideal é começar com pequenas quantidades, passeando com a bebida de modo que ela tenha contato com toda a superfície da cavidade oral: língua, gengivas e bochechas.

Com o vinho ainda na boca respire. Isso ajuda na liberação de moléculas voláteis capazes de atingir a cavidade nasal que também possui receptores de sabor.

Usando a ponta da língua é possível perceber se a bebida é doce, nas laterais os sinais de acidez são facilmente notados e na parte posterior, é onde se sente o teor alcoólico. A harmonia entre essas sensações é um indício clássico de vinho equilibrado.

Depois de sentir todas essas sensações é hora então de engolir o vinho. Se após a ingestão do vinho o sabor persistir na boca por um longo período significa que se trata de um vinho  de qualidade, com grande potencial de guarda e amadurecimento.

Depois de todo esse passo a passo da degustação, existem outras dicas que devem ser levadas em consideração e colocadas em prática na degustação e serviço são:

  • Armazene os vinhos em ambiente com baixa quantidade de luz e temperatura constante (uma adega é uma excelente opção);
  • Se possível, armazene os vinhos preferencialmente em posição horizontal;
  • Sempre que for degustar um rótulo, segure pela base para não aquecer o vinho;
  • Confiar na sua intuição.

A degustação de um vinho é um dos maiores prazeres e algo que deve ser levado em conta nessa prática é a necessidade de tempo e paciência para que se melhore nessa arte.

A boa notícia é que você pode colocar tudo o que acabou de aprender em prática por meio dos nossos rótulos. Basta ir até a nossa boutique online, escolher seus rótulos preferidos. Confira as opções de frete grátis!

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