Dicas de degustação para iniciantes: Como apreciar um bom vinho

Dicas de degustação para iniciantes: Como apreciar um bom vinho

Ao contrário do que muitos imaginam, o processo de degustação de um vinho não é uma atividade exclusiva de profissionais sommeliers que se dedicam a apreciar aroma, palatabilidade, acidez e outros elementos desse incrível tipo de bebida. Com um pouco de prática, dedicação e orientação adequada é possível se tornar um ótimo degustador de vinhos.

Se você é uma pessoa que naturalmente gosta de vinhos, pouco entende sobre eles, mas gostaria de elevar seu nível de conhecimento do ponto de vista de degustação, não se preocupe. No artigo de hoje, vamos te dar dicas importantes para apreciar rótulos de maneira assertiva e aos poucos evoluir no processo de degustação.

Tudo começa no rótulo

O processo de análise e degustação de um vinho começa ainda no rótulo. É nele que encontramos informações importantes sobre o vinho que será degustado.

Conferir o produtor, o ano da safra, o nome do vinho, a região de fabricação e a uva utilizada são alguns dos cuidados necessários na hora de escolher um rótulo.

Obviamente que para conhecer e saber a relevância das informações encontradas é preciso que haja um conhecimento prévio sobre cada uma delas. Assim, estudar um pouco sobre uvas, safras, regiões e tipos de vinho ajudam no preparo de escolha de rótulos.

Ouça o que os especialistas têm a dizer

Existem hoje muitas escalas de avaliação de rótulos de vinho espalhadas pelo Brasil e pelo mundo. Elas ajudam a classificar a qualidade de diversas safras que chegam ao mercado consumidor.

Essas escalas podem ajudar muita gente a procurar por um tipo de vinho que já foi avaliado como bom. No entanto, é necessário que haja senso crítico, afinal, embora opiniões de especialistas tenham amplo conhecimento, não existe nenhum “dono da verdade” no universo dos vinhos.

É importante ter em mente que embora avaliações sejam feitas por pessoas que realmente entendem de vinho, sempre haverá influência do gosto e preferência individual de cada pessoa quando o assunto é degustação de vinhos.

Degustação de vinhos envolve visão, olfato e paladar

Depois de analisar e escolher um rótulo é hora de colocar a degustação em prática. Aqui, é preciso dar atenção especial ao que será provado.

É importante ter em mente que a degustação de vinho envolve três sentidos importantes: Visão, Olfato e Paladar. Vamos nos aprofundar um pouco nesses sentidos.

Comece com uma taça de qualidade

O primeiro ponto para iniciar essa jornada de degustação por meio de sentidos é ter à disposição uma taça de qualidade.

Não é preciso nada espetacular, como uma taça de cristal, por exemplo. Bata uma boa taça grande, translúcida e larga para poder dar início ao processo de degustação e compreensão dos vinhos.

Outro detalhe importante antes de iniciar o processo de degustação é caprichar na higiene bucal sem mentol. A língua é repleta de receptores gustativos que detectam sabores e sensações únicos. Por isso, eliminar resíduos é de grande ajuda, porém a pasta de dentes pode atrapalhar na percepção de alguns elementos. Então é importante escovar os dentes com um intervalo de pelo menos 2 horas antes de degustar o vinho.

A importância da visão

Embora negligenciada, a etapa de avaliar a aparência do vinho é muito importante na hora de degustação. Preencha pelo menos um quarto da taça, segure-a pela haste e tente notar qualquer tipo de característica.

Um vinho límpido e brilhante é sinal de qualidade. Já um vinho turvo, com partículas em suspensão pode ser sinal de problema, mas também pode significar que a bebida não passou por filtragem, algo aceitável entre produtores naturais.

Caso esteja degustando/avaliando um espumante, avalie o perlage – que são as bolhas. Borbulhas finas e contínuas indicam melhor qualidade.

Outro ponto de atenção é a intensidade da cor. Olhe a bebida através da luz e verifique se é possível enxergar seu dedo por trás da taça.

Quando mais denso for vinho tinto mais jovem ele será, provavelmente oriundo de uma região quente, feito com uvas mais pesadas, como Tannat ou Cabernet Sauvignon, por exemplo.

Por outro lado, vinhos mais translúcidos indicam que foram produzidos em regiões mais frias ou foram usadas uvas mais leves como Pinot Noir ou Gamay.

No caso dos vinhos brancos, a tonalidade deve variar entre o quase transparente, passando pelo dourado e podendo chegar ao castanho. Os rosés ficam entre o rosa, salmão, casca de cebola e laranja. Enquanto os tintos vão desde o púrpura vivo, clareando até o rubi e chegam próximos à uma coloração de tijolo.

Com o passar dos anos, os vinhos brancos e rosés vão concentrando mais coloração, enquanto os tintos vão se empalidecendo.

Com a taça ligeiramente inclinada, observe o dégradé formado entre a borda e o centro do vinho. Os tintos mais velhos perdem a cor da borda.

Para finalizar a análise visual, retorne a taça para a posição vertical, gire delicadamente e preste atenção às lágrimas formadas na parede. Quanto mais grossas e consistentes, maior o teor de álcool.

Imergindo pelo olfato

A grande dificuldade de muitos iniciantes degustarem e avaliarem um vinho pelo olfato é conseguir notar aromas específicos. Na verdade, perceber notas específicas em um vinho é um trabalho que envolve conhecimento técnico e prática constante.

O olfato é a parte mais importante na hora de degustar um vinho. Isso porque se trata do sentido mais primitivo, permitindo que se acesse memórias mais antigas.  O aroma de um vinho é capaz de provocar diferentes sensações, tais como desejar consumi-lo, ou até mesmo criar aversão à bebida.

Assim o processo deve iniciar aproximando o nariz da bebida e inalando a taça de maneira estática, sentindo a intensidade e o perfume mais evidente.

A primeira impressão é a mais genuína pelo fato de não estar sob influência do nosso poder de análise. Em seguida, comece a girar a taça para aumentar a superfície de contato do líquido com o ar. Isso agitará as moléculas aumentando a percepção em relação aos aromas iniciais.

Vinhos de qualidade desenvolvem aromas cada vez mais interessantes nos primeiros minutos que é disposto em uma taça.

A sensação de um aroma do vinho é desencadeada por uma mistura complexa de moléculas, daí a diversidade de descritores que essas bebidas podem (normalmente) apresentar.

Algo que pode ajudar a reconhecer o aroma de um vinho é ter à mão uma tabela completa de descritores, divididos por grupos como frutas, flores, vegetais e minerais. Os grupos podem também estarem dispostos em aromas primários (das uvas utilizadas), secundários (resultado do processo de fermentação) e terciários (oriundos de rearranjos ocorridos durante o processo de envelhecimento ou das barricas onde foram armazenados).

A tabela deve ser um incentivo inicial e não uma obrigação. O ideal não é procurar pelos cheiros, aceitar os aromas que surgem.

Uma dica importante aqui é que odores que remetem a esmalte, papelão molhado, enxofre ou vinagre, são indicativos de vinhos com defeitos ou de má qualidade.

Colocando o paladar em prática

E por último e tão importante quanto a visão e o olfato é a colocação do paladar em prática.

O ideal é começar com pouca quantidade na boca, sentindo a temperatura e passeando com a bebida de modo que ela tenha contato com toda a superfície da língua, gengivas e bochechas.

Com o vinho ainda na boca, respire um pouco. Isso ajuda a liberar mais moléculas voláteis que podem atingir a cavidade nasal que também possui receptores.

Atente-se ao peso e à textura do vinho. Se ele é leve como água, denso ou sedoso como licor.

Com a ponta da língua, é possível perceber se a bebida é doce, nas laterais, por meio de pequenas agulhadas são sinais de acidez e na parte posterior conseguimos sentir o álcool e os taninos por meio de uma sensação rugosa, que também pode ser percebida nas bochechas e gengivas. Se houver harmonia entre essas sensações, o vinho é classificado como equilibrado.

Depois de engolir, preste atenção se a boca ficou seca ou adstringente. Isso confirma a tanicidade da bebida. Caso muita saliva tenha se formado, isso é sinal de um vinho com  presença de acidez. A sensação de calor ocorre por conta dos elevados níveis de álcool.

Se o sabor do vinho persistir na boca por um longo período isso significa que se trata de uma bebida de qualidade.

Não vá para o próximo gole de maneira imediata. Aguarde até que as sensações da bebida aflorem no fundo da boca. Quanto mais essas sensações perdurarem ou mudarem com o tempo, mais interessante é o vinho.

Deixar o vinho passear por toda a boca para poder apreciar as nuances é fundamental para compreender cada vez mais sobre ele.

Com o passar do tempo, degustadores mais experientes se tornam capazes de perceber de onde vêm os taninos e acidez da bebida – se são naturais da uva ou provenientes do estágio em barricas ou se foram acrescidos de forma enológica.

Entretanto, para atingir esse nível de conhecimento, são necessários anos de prática.

Outras dicas importantes para iniciantes na hora de degustar um vinho

Além do passo a passo envolvendo os sentidos na hora de degustar um vinho, existem outras dicas importantes que devem ser colocadas em prática. São elas:

  • Armazene os vinhos em ambiente com pouca luz e temperatura constante;
  • Os vinhos devem ser armazenados preferencialmente na horizontal;
  • Segure a taça pela haste ou pela base para não aquecê-la;
  • Não se cobre demais;
  • Confie na sua intuição;

Conclusão

Gostar ou não de um vinho é uma avaliação muito particular de cada pessoa, afinal, diferentes pessoas se identificam com sabores e aromas diferentes. Por isso é possível provar um vinho premiado e não o achar tão gostoso. O melhor vinho é aquele que você gosta.

Depois dessa aula introdutória sobre dicas de degustação para iniciantes, que tal saber mais sobre o universo dos vinhos? Para isso é só baixar o nosso Guia da Linguagem do vinho clicando aqui.

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